A comédia romântica do cinema francês + indicações

Apesar de ser uma viciada em comédias românticas/trágicas que incluem aquela pitada de drama existencial, devo admitir algo que acredito ser meio óbvio pra todos, apesar da insistência da industria. O estilo anda meio defasado e repetitivo, os enredos sempre são os mesmos e tudo parece ser previsível de um jeitinho bem irritante, principalmente quando falamos de produções hollywoodianas (salvo algumas exceções). Porém, de uns tempos pra cá ando me redescobrindo na categoria através de alguns filmes franceses.

Existem características semelhantes mas muito legais nesses filmes e algumas eu dou muito valor (quem já teve contato com o cinema francês através de filmes como “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” vai entender do que estou falando), como roteiro inteligente, piadas sarcásticas que incluem criticas sociais e o estilo de filmagem que te faz  lembrar um pouco os filmes independentes. 

Fiz uma lista de indicações de alguns que assisti recentemente. Caso bata a curiosidade de ver, clicando no título  você assiste ao trailer no Youtube.

La délicatesse (A Delicadeza do Amor – 2011)

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Disponível no Netflix

Esse filme me surpreendeu bastante por ser extremamente sensível em tudo e realmente fazer jus ao título. La délicatesse vai te ensinar muita coisa sobre superar momentos ruins da vida, além de te mostrar o nascer de um amor verdadeiro que vai contra todas as regras. É interessante também acompanhar a abordagem sútil do filme a respeito do grande problema que a sociedade tem com relação a padrões de beleza e aceitação. Você fica com um nozinho na garganta em vários momentos, mas o fim vale a pena. Audrey Tautou interpreta  Nathalie e François Damiens é Markus.

Hors de prix (Amar não Tem Preço – 2006)

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Disponível no Netflix

Esse também é com a linda da Audrey Tautou ♥ e conta a história de uma oportunista com ares de prostituta de luxo (coisa que fica meio implícita no filme) que se dá mal ao cair na mentira deslavada de um garçom que se finge de milionário. Olha, esse filme é hilário de um jeito bem sombrio, tudo porque você passa a perceber no decorrer das cenas uma mudança na atitude dos personagens principalmente a respeito do tipo de relacionamento deprimente que eles vão desenvolvendo. Ele também faz você sentir as mais variadas sensações, indo da raiva até a pena. No fim você se vê com cara de idiota para a televisão, torcendo pela felicidade dos dois (Irène e Jean, interpretado por Gad Elmaleh).

Amour & turbulences (Amor e turbulência – 2013)

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Disponível no Netflix

De longe um dos meus preferidos. A comédia aqui é muito mais rasgada, mas não traz maldade, fazendo um contraste muito interessante com o drama por trás da relação entre Julie (Ludivine Sagnier) e Antoine (Nicolas Bedos). A história em si se passa numa série de flashbacks narrativos que conta como os dois se conheceram, se amaram e  acabaram por destruir o relacionamento, tudo enquanto são obrigados a passar um voo inteiro um do lado do outro. Amour & turbulences não tem nada de previsível e as dúvidas que acabam surgindo na cabeça de Julie sobre o que seria melhor pra vida dela vão construindo o clima do filme, estabilidade ou espontaneidade? Na minha humilde opinião, o final foi perfeito.

Le nom des gens (Os Nomes do Amor – 2010)

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Disponível no Netflix

Esse daqui é um show a parte, você precisa assistir. É uma comédia romântica? É! Mas envolve temas tão sérios que você acaba se perdendo no meio das risadas por se pegar rindo da desgraça alheia. O filme mostra a relação entre a desajeitada e louca Bahia (Sara Forestier) uma esquerdista árabe naturalizada francesa, que se utiliza de sexo pra convencer adversários políticos a mudarem de opinião e o tímido Arthur (Jacques Gamblin) que vive numa constante busca ao encontro de sua identidade pessoal e sofre com o passado da família/conservadorismo dos pais. O título do filme parece ser uma relação entre os nomes dos personagens principais, enquanto Bahia brinca que é única por ter um nome extremamente incomum, Arthur parece se sentir desolado por ter o nome mais comum da França. Um filme GENIAL que além de ter muito romance, convoca discussões sobre xenofobia, pedofilia, tecnologia, guerras e políticas de imigração.

La vie d’une autre (A Vida de Outra Mulher – 2012)

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Juliette Binoche (conhecida pelo filme A liberdade é Azul de 93 e por ter sido ganhadora do Oscar de Atriz coadjuvante em 97 por O Paciente Inglês) está PERFEITA interpretando Marie e a maior parte dos risos envolve ela tentando descobrir como viver uma nova vida. Esse filme é mais um drama do que comédia na minha opinião e traz a história de uma mulher que vai dormir com 26 anos no auge de uma paixão e acorda com 41, tendo ai um lapso de memoria de 15 anos. De repente ela se vê completamente diferente do que era antes, rica e em meio a uma crise no casamento com um filho e marido ao qual da 0 de atenção. O que eu mais gosto nesse filme é o poder que ele tem de nos levar a reflexão. Estamos realmente vivendo a vida? Estamos realmente nos mantendo fieis a nossa essência? As atitudes de agora vão refletir de que maneira no nosso futuro? Indico muito que você assista.

Conta ai se tiver mais alguma sugestão e se já viu algum dos filmes, me diz o que achou!
Até a próxima.

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