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Antes mesmo de começar a planejar a viagem, eu já sabia que precisava conhecer um pedacinho da cordilheira. O lugar sempre foi enigmático pra mim, não somente pela grandiosidade, mas por várias outras coisitas como vestígios já encontrados de civilizações antigas e ovnis (sabia que o Chile é o pais com maior número de casos de aparições ovnis no mundo?). Por esse motivo, o passeio até Cajón del Maipo era obrigatório pra mim.

O grande dia

Acho que nunca vou esquecer esse dia. Saímos bem cedo do apartamento e ficamos no hall de entrada do prédio aguardando a chegada do nosso guia maravilhoso, Matias. A previsão do tempo estava ok, sabíamos que era possível ver um pouquinho de neve, mas tivemos realmente muita sorte. Final de setembro já é o período em que a neve derrete, então é bem difícil pegar o clima que pegamos.

O porteiro do prédio, um senhor de mais ou menos 80 anos, se aproximou da gente pra puxar assunto (nesse post falo sobre a nossa hospedagem e conto pra vocês mais sobre o roteiro em Santiago). Falamos pra ele que estávamos indo pra Cajón del Maipo. Nesse momento ele me olhou dos pés a cabeça sorrindo e disse “necesita cambiar el zapato, va a morir de frío” (eu estava usando tênis).

Ele explicou que não deveríamos confiar na previsão do tempo, pois tinha certeza absoluta que estaria nevando por lá. Como a voz da experiência tinha falado, só obedecemos. Subimos pra colocar as botas e foi nossa salvação!

As roupas

Por falar em roupa, aqui vai uma dica de ouro: Se você for bem preparado, não existe a necessidade do aluguel de equipamentos pra neve. Nossos companheiros de passeio ficaram chocados quando dissemos que trouxemos apenas mala de mão, já que eles despacharam bagagem e mesmo assim não conseguiram trazer roupas apropriadas. Uma outra dica também é observar o seu guia, se ele trocar de roupa talvez seja um sinal pra alugar equipamento mais especifico.

O segredo está nas camadas. Basicamente utilizei uma camisa de malha poliéster, dessas de academia pra absorver o suor (as da Adidas com tecido climate são ótimas), um moletom comum com forro fleece e um casaco parka. Embaixo usei uma meia calça térmica (mercado livre na cabeça) com uma legging da Nike (carinha, mas valeu cada centavinho) e uma bota coturno normal.

Meu marido foi no mesmo esquema: camisa poliéster, moletom, casaco impermeável, legging Dry-fit, calça jeans bem grossa e um tênis cano alto de couro. As luvas e os cachecóis nós compramos em Santiago mesmo, tudo bem baratinho.

Pra guardar nossas coisas, usamos uma mochila mini cargueiro da Adidas. Chegamos a pegar -9º lá nas montanhas, frio pra caramba. Vou listar os itens mais específicos:

Parka Sarja Polo Wear
Legging Nike Power Dry-FIT
Bota Vizzano Coturno
Jaqueta Broken Rules Dupla Face Capuz
Mochila NGA Adidas

Tour

Optamos por um tour semi-privado em SUV. Dividimos o carro com outros dois casais, o que no final das contas ajudou bastante em relação a conforto, logística e principalmente, pela neve.

O passeio é realizado logo cedo pela manhã. Era umas 6:30 da manhã quando o guia chegou na portaria. Ainda estava tudo escuro. Então tem que acordar bem cedo, com a cara e a coragem e tomar aquele café da manhã bem reforçado.

Pudemos fazer paradas em outros locais pra apreciar a paisagem sem problemas e nosso guia ainda preparou um super “almocinho” pra gente nos pés da cordilheira, com direito até a churrasco! foi maravilhoso. Fizemos a tour e o agendamento através do @pedropelochile. Recomendo muito.

Antes de subir até Embalse, existe um ponto de encontro, tipo um estacionamento, abastecido com banheiros químicos, cafeteria pra tomar um chá ou cafézinho / comer algo e um espaço pra aluguel de equipamentos impermeáveis pra neve, como botas, casacos, luvas e calças. Então, não precisa ficar preocupado caso aconteça algum imprevisto relacionado a algumas dessas coisas.

O caminho até a represa Embalse el Yeso com neve foi super “com emoção”. Muita pedra caindo das montanhas, estradas de barro, muitas curvas, neve por todo lado, nada de guard rail, tudo pra deixar qualquer cardíaco passando mal, foi bem tenso. A experiência do guia em dirigir naquelas condições fez toda diferença durante o trajeto.

A neve

Quando chegamos pertinho da represa, estava nevando bem de leve, que visão linda os floquinhos caindo do céu. Uns 15 minutos depois pegamos uma super nevasca, de não conseguir nem abrir os olhos ou falar. A respiração também fica bem pesada nas montanhas por causa da altitude, então nada de correr ou levar crianças pra lá nesse clima.

Por causa da neve, a visibilidade não ficou muito boa pra aproveitar a paisagem. Precisei desvincular daquela visão já conhecida de água bem azul, que geralmente você vê em fotos como essa por exemplo.

Almoço e casinha de chocolate

Depois de curtir a paisagem das montanhas, fomos pra um abrigo próximo a uma corredeira pra fazer um lanche reforçado enquanto observávamos as pessoas descendo de caiaque, NAQUELE FRIO.

Depois de comer e esquentar um pouquinho, fomos comer chocolate na Casa Chocolate Tienda Boutique.  Que lugarzinho mais fofo! Parece que foi todo feito por duendes e a paisagem ao redor também ajuda muito a elevar a magia do lugar. Bem Harry Potter, né?.

Chegamos em Santiago por volta das 17h com gostinho de quero mais. Tudo tão perfeito, vimos neve pela primeira vez, estivemos na Cordilheira dos Andes! Preciso confessar pra vocês que quando cheguei no apartamento, comecei a chorar feito uma criança, por todas as coisas que tinha visto, mas principalmente por ter tido o privilegio de conhecer aquele lugar.

Queria ter tirado um milhão de fotos, mas sou dessas que só consegue prestar atenção em apenas uma coisa. Registrar com os olhos mesmo e acabei esquecendo de tudo. Em alguns momentos também fiquei com medo de usar a câmera por causa da temperatura negativa/neve e acabei usando o celular mesmo na maioria das vezes.

Se for visitar o Chile, esse é um passeio que não pode ser dispensado, hein? Até o próximo post! ❤

Vlog rapidão da viagem com nossa chegada em Cajón del Maipo.

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